morte e o milagre da vida

novembro 2, 2008 at 8:42 pm (Uncategorized)

(Jhonny Cash-Hurt)

    Dia de finados, na Cataluña ou Havana de Goiás, como muitos dizem, ainda não choveu, o que é bem incomum para esta data.Dia de Finados, de los muertos, de gente que já se foi e não vai voltar.Só restam as memórias.Cortes em carne viva talvez.Feridas que o tempo, não apaga: Ah, a saudade.Sentimento tão conturbado, que não tem definição, apenas incomoda, gera a nostalgia.Também, aquele questionamento de:”Poxa, poderia ter sido melhor.”

     Lágrimas, crenças, mitos, tanta coisa para explicar o resultado de uma vida: a morte.O óbvio destino de cada um.O que se vem depois disto, ninguém sabe ao certo.Mas, algo é fato, saudade de ver alguém indo embora com a certeza de que jamais voltará dói.Dói, levantar, sacudir a poeira e tentar dar a volta por cima, como diz o famoso samba cujo autor eu não me recordo o nome.Desde crianças estamos acostumados a conviver com perdas e ganhos, entretanto nem sempre aceitamos que tudo é efêmero e cada pessoa é tendenciosa à deixar alguma coisa em nossas memórias, seja recordável conscientemente falando ou não.

Quando se envolvem sentimentos de uma complexidade maior, e consequentemente intensidade é óbvio que não se deleta, como numa simples formatação do windows.Seria muito interessante se ao longo da vida de cada um, as conexões neurais não fossem reforçadas em cada sinapse transmitida (com nossos neurotransmissores hormonais) relacionadas  à sentimentos e situações vivenciadas.Amor, tristeza, dor, alegria, sexo, êxtase, depressão, satisfação, coisas tão triviais e tão difíceis de lidar de acordo com o contexto que se fala.

    Fortalecendo o clichê de que não há nada mais natural de que a morte,é observável que só quem já sentiu a dor da perda, sabe a dificuldade de lidar com a mesma.Por maiores que sejam as terapias, as análises, nada se apaga, simplesmente se desloca de lugar as lembranças nas quais fixadas na memória tendem à serem associadas com tristeza.Nem sempre a morte, a perca, deve ser vistas assim.Nâo devemos ser egoístas, nada é nosso.Nossos pais, amigos, irmãos, namorados, gente que tenhamos qualquer tipo de afetividade não são nossas propriedades. Um dia, nos afastaremos.É ruim pensar nisto, mas é uma consequência de nossas escolhas.

    E olhando para trás, já perdemos tanto, como ganhamos também..Pessoas entram, pessoas vão.Algumas marcam positivamente, e aquilo que é negativo, deixe, ignore, use como aprendizado se conseguir.Ficar remoendo o que passou não te fará falta, será perca de tempo.Enquanto se vive esta nostalgia, o milagre da vida não pára de acontecer.Caminhando simultaneamente à morte, num ciclo infinito.

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