Mudanças

janeiro 14, 2009 at 4:11 am (Uncategorized)

Pois é, meus caros. Depois de algum tempo sem postar resolvi dar uma aparecida no meio desta correria. Mas, alguns se questionaram: ’E suas férias, garota?!’ Querido, estou agora praticamente bancando a pose de corretora imobiliária. ['Menos Nathalia, bem menos!' ] Ok, ok, bem menos!

Entretanto, nestes tempos de crises financeiras, mercado mais atordoado que uma cadela no cio, não é tão fácil achar um imóvel decente. Estou literalmente caçando um. Andando nos bairros, praticamente de portaria em portaria de prédios(é claro, que os que eu vejo que não são para minha realidade financeira nem chego perto.A gente tem uma tendência a saber até onde vai nosso caminhãozinho, não é mesmo?!) perguntando se há algum apartamento para vender ou alugar.

Mais uma mudança. Em quase 19 anos de existência, já mudei de casa aproximadamente 17 vezes, (13 morando com meus pais, 4 morando sozinha).Antes que me intitulem de cigana, ter um família inquieta dá nisto. Mas, sabe que é até bom?É uma forma de tentar praticar o desapego. Desapegar de bens, do berço que vc dormiu na infância, sendo que está prestes a fazer 30 anos  e até hoje não teve coragem de desfazer, por que quer carregar como herança de família. Ah, que lindo ! Mas, para quê, ora bolas; unir sentimentos à tantos objetos?Doe para uma família que não tem onde o por o filho ainda bebê, para dormir. Desapegue-se, meu povo! Desapegue-se!

O sentimento nostálgico (tá, eu confesso que tenho demais), é excelente para se lembrar de amigos, da família, de pessoas especiais que tiveram boas passagens em nossas vidas. Só que há uma dualidade nisto, e o lado negativo é ficar remoendo o que não volta.É como a busca pelo nirvana, ou o gozo supremo que os lacanianos cismam em dizer, só se sente uma vez e não volta, e tentamos repetir esta ‘sensação’. [perdoem-me, caso falei alguma asneira, ou não soube expressar diretamente a minha idéia, porém minha bagagem de Lacan ainda é bem restrita.]

Se o ser humano sabe que é insaciável por si só, que nunca estará satisfeito, por que tenta reviver a mesma sensação agradável naquele momento em que ela se passou, já que cada momento e toda sua circunstância é única? Por que tanto apego, tanta nostalgia, sendo que nada se repete?

Tantas contradições, afim de explicar uma só coisa: não desapegamos de objetos que remetem à sentimentos vividos, pois ainda temos a esperança de experimentar novamente aquele momento.Mas, sempre será frustrada esta busca, ora! Jamais, as circunstâncias que envolvem aquele momento onde se teve prazer ou ‘desprazer’ serão as mesmas. Logo, nunca se repetirá. A nostalgia leva consigo, um desejo inacessível, já que tudo se modifica, seguindo o curso natural da vida.

E vocês que estão lendo o meu texto podem questionar-me? “Tá, Nathalia, mas o que isto tem haver com sua mudança?”

São nas mudanças sejam elas de endereço ou idéias, que somos obrigados à nos desfazer muitos objetos e quinquilharias para se readaptar ao novo ambiente, ou mobiliá-lo com o ‘novo’. São elas, excelentes oportunidades para fazer o balanço daquilo que temos que manter e o que temos que  nos desfazer. Tocar para a frente! Vender! Doar! Trocar! “Ah, se vira, meu filho, você não é caixote, não mandei fazer da sua casa um ‘pregão’, hein?!” E através, das mudanças encontra-se uma maneira de pelo menos tentar amenizar este desejo frustrado.

Dê chance ao novo! Como diz a propaganda do Bradesco, ( que eu particularmente, achei fantástica): Feliz 200inove!

Hora de inovar, de se desfazer de tantas tralhas, picuinhas, besteiras, sentimentos ruim que carregados à memória só fazem mal à nós mesmos.E você, já começou a iNOVar?

2 Comentários

  1. Naiá disse,

    Caramba, não poderia existir um dia mais apropriado para que eu lesse o seu texto. Parece que foi escrito pra mim, que sou uma das pessoas mais apegadas à coisas [que não são de carne e osso] que remetem a sentimentos e acontecimentos vividos. Eu não sei como me desvincular do passado. Caso você descubra, divida a receita comigo!

    “Se o ser humano sabe que é insaciável por si só, que nunca estará satisfeito, por que tenta reviver a mesma sensação agradável naquele momento em que ela se passou, já que cada momento e toda sua circunstância é única? Por que tanto apego, tanta nostalgia, sendo que nada se repete?”

    Me responda! rs

  2. Luzinha disse,

    Muito interessante,…minha avó tem mania de guardar e eu detesto isso…as melhores lembranças devem ficar nas fotos e nas memorias….o resto devemos nos libertar….tem gente q guarda roupas de qdo era bebe para usar nos filhos….e depois qdo vai lavar rasga pq tá velha….ficou anos na gaveta com tantas outras pessoas precisando,..
    bjos

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